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Por aí 1

  • Foto do escritor: Fernando Maia
    Fernando Maia
  • 5 de fev. de 2023
  • 2 min de leitura

Passava por um corredor pleno de vozes sábias quando ouviu uma que se destacava pela convicção: há milhares de estátuas na cidade, sabem quantas são de mulheres? Apenas pouco mais de uma dezena!


Logo se lembrou de uma estória antiga contada numa conversa (ou a teria lido? Não era muito de memorizar e já misturava as coisas) por um tal de Serres. Era a estória do jovem Estevão destruidor de estátuas e que após ser apedrejado (quem sabe pelas mesmas pedras das estátuas que destruira?) se tornou objeto de culto de uma nova seita de adoradores.


Logo após, ouviu mais uma voz convicta: e querem nos tirar o ser e nossa história! Lembrou de outra conversa, dessa vez com alguém da tribo Tanaru que não entendia porque nos aferrávamos ao tempo dos humanos no trabalho de maneira tão pertinente como se o mundo girasse em torno de nossos feitos. Essa mesma pessoa também não entendia como se podia atribuir a outros povos uma tal importância dada a um ser que não tinha qualquer consistência, chegavam, mesmo a dizer que esse tal de ser habitava a linguagem (que nem era linguagem de feiticeiros!).


Ao fim dessa jornada pelos corredores do saber, uma visão do futuro atravessou seu espírito, um mundo povoado de estátuas de novos ídolos contando o heroísmo das batalhas de novos heróis enfim reconhecidos.


E como num sonho ouviu uma voz deslocada, tranquila, sem reivindicações que nesse momento apenas dizia e sorria sem desdém, sem ironia: quem precisa de estátuas, quem precisa de heróis, de ser, ou de história? Quando deixaremos de ser infantis e nos produziremos em composições por meio artifícios mais interessantes? Quando vamos nos misturar sem tanto temor, sem tantas certezas com as aventuras da Terra, da vida?


Fernando Maia

 
 
 

1 comentário


Andrey Vitor
Andrey Vitor
02 de jan. de 2025

Que texto instigante! Ele me fez refletir sobre como atribuímos significados às estátuas, heróis e narrativas históricas, e como isso molda nossa visão do mundo. A provocação final sobre nos misturarmos com as aventuras da Terra e da vida sem tantas certezas é especialmente poderosa — talvez seja um convite para abraçar uma perspectiva mais aberta e integrada, além das convenções tradicionais. Obrigado por compartilhar essa reflexão! Saudade de suas aulas!

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