Por aí

E chegou num lugar estranho, seria mesmo um lugar? Ali (?) não funcionavam as categorias, os gêneros, espécies, próprios, diferenças... que a tanto custo, a tanta violência, à fórceps teve que imprimir em seu espírito. Tudo parecia ser misturado e tentando, aos poucos, categorizar tudo aquilo, se viu como Kant diante de um ornitorrinco.
Acabou por se ambientar e reparou que algo inusitado acontecia. Parece que andaram estudando aquelas categorias e, apesar delas não rimarem com seus corpos, suas almas, seus desejos..., as consideraram como a última palavra sob a qual deveriam se dobrar.
Estranhamente, o que essas categorias excluiam, eles incluiam, onde elas apontavam para os modos de acusação da árvore profiriana, não percebiam nada que fizesse sentido. Mesmo assim, se esforçaram para seguir seus novos mestres, entenderam que era preciso encontrar um lugar específico num ramo qualquer para serem reconhecidos, respeitados. Diziam que era para serem alguém. E assim fizeram: para identidade, identidade e meia... e se tornaram identificados, a áspera diferença em que consistiam se tornou uma diversidade localizada. O ornitorrinco foi, enfim, domesticado pelas categorias.
Que pena, pensou, um novo modo de vida era abortado ali.


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